Sê puta.
Antes que a miséria
a alcance pela fome .
Sepulta as dores
antes que o sofrimento
a alcance pelas chagas .
Sede o que desejas
excomunga a dor que te invade
estrangula os fatos que te matam
esvazia esta alma que te come
extermina a parte seca do teu rastro
exonera o lado podre dos teus beijos
elimina a carne fétida do teus versos.
Sê puta
antes que a fome lhe prospere na miséria.
Antes que a carne esteja fétida
pelas velhas chagas corroídas.
liberta tua cama dos velhos sofrimentos
onde o lençol e o travesseiro petrificam tua mente.
Sede uma ponte,
o caminho da tua estrada.
A passagem larga dos teus sonhos
por onde trafega a tua compaixão.
Sepulta o que chamas de ferida.
domingo, 14 de junho de 2009
No espaço do verso,
cabe um ônibus.
No espaço do ônibus,
cabe um ser.
No espaço do ser ,
cabe algo.
no espaço do algo,
cabe o vento .
Sopra solidão !!!
Humberto Firmo
cabe um ônibus.
No espaço do ônibus,
cabe um ser.
No espaço do ser ,
cabe algo.
no espaço do algo,
cabe o vento .
Sopra solidão !!!
Humberto Firmo
Manto da apresentação (a Arthur Bispo do Rosário)
Vou me vestir assim :
cheio de letras
palavras soltas
e números absortos .
Vou pintar sobre o manto :
outras luas , outras estrelas.
Um mundo em mim ;
repleto de universos .
Colocarei sobre o manto
a crise dos deserdados
a loucura dos lúcidos
e a dor dos desesperados .
Vou me apresentar assim :
Vestido de homem
repleto de imagens
feito a minha própria semelhança .
Humberto FIrmo
cheio de letras
palavras soltas
e números absortos .
Vou pintar sobre o manto :
outras luas , outras estrelas.
Um mundo em mim ;
repleto de universos .
Colocarei sobre o manto
a crise dos deserdados
a loucura dos lúcidos
e a dor dos desesperados .
Vou me apresentar assim :
Vestido de homem
repleto de imagens
feito a minha própria semelhança .
Humberto FIrmo
Da Capital
Brasília, Brasília,
minha cidade sem esquinas
(dizem alguns)
cheia de blocos.
Ando por tuas retas ruas
respirando árvores
e lendo o pôr-do-sol
carros estacionados
pessoas atravessando eixos
olhando o céu vejo azul
e a noite vejo estrelas
em cada bloco uma letra
em cada letra um plano
uma linha no horizonte
um beirute num canto
repleto de pessoas históricas.
Humberto Firmo
minha cidade sem esquinas
(dizem alguns)
cheia de blocos.
Ando por tuas retas ruas
respirando árvores
e lendo o pôr-do-sol
carros estacionados
pessoas atravessando eixos
olhando o céu vejo azul
e a noite vejo estrelas
em cada bloco uma letra
em cada letra um plano
uma linha no horizonte
um beirute num canto
repleto de pessoas históricas.
Humberto Firmo
Lirismo moderno
* * *
em meu lirismo
não trago lágrimas.
a última flor, no caule,
só tem espinhos.
firo-me ao gerundiar a vida:
tentando, pensando, vivendo.
* * *
em meu lirismo
não trago lágrimas.
a última flor, no caule,
só tem espinhos.
firo-me ao gerundiar a vida:
tentando, pensando, vivendo.
* * *
No meio da Tarde
Pelas ruas da cidade
Quero andar por super-quadras
Lendo postes pelo caminho
Contando meios-fios.
Atravessar de calçada para calçada
Passar por baixo de blocos
Soletrando letras:
A,B,C... J,K,L,M...
Encher-me de alfabetos.
E a tarde, na maior vagabundagem,
sair pela W3,
cantando uma canção do “Liga Tripa”.
Humberto Firmo
Quero andar por super-quadras
Lendo postes pelo caminho
Contando meios-fios.
Atravessar de calçada para calçada
Passar por baixo de blocos
Soletrando letras:
A,B,C... J,K,L,M...
Encher-me de alfabetos.
E a tarde, na maior vagabundagem,
sair pela W3,
cantando uma canção do “Liga Tripa”.
Humberto Firmo
Calangos
São um pouco diferentes
São meio pirados como toda gente.
Calangos são da lua
Emitem uivos ao anoitecer.
E vivem nas estepes.
Viram Lobos-Guará.
Calangos adoram um lago,
Subir montanhas, entrar em cachoeiras.
Estão sempre em movimento.
Fazendo arte por toda parte.
Calangos
Aguardam o próximo circular
Estão entre o 15 e o 20.
Calangos vão ao Beirute
Esticam a noite
Cantam canções de acampamentos.
Calangos
Esticam-se ao sol.
Calangos entendem
a metáfora das tesourinhas.
Calangos viajam pra Pirinópolis
Fazem fogueiras em São Jorge
Calangos vão pra Chapada.
Calangos gostam de trilhas.
Calangos olham pro céu
Sabem que não vai chover.
Calangos, guardam o pôr-do-sol,
Guardam o nascer do sol.
Calangos são Calangos
Virando gente.
(Humberto Firmo)
São meio pirados como toda gente.
Calangos são da lua
Emitem uivos ao anoitecer.
E vivem nas estepes.
Viram Lobos-Guará.
Calangos adoram um lago,
Subir montanhas, entrar em cachoeiras.
Estão sempre em movimento.
Fazendo arte por toda parte.
Calangos
Aguardam o próximo circular
Estão entre o 15 e o 20.
Calangos vão ao Beirute
Esticam a noite
Cantam canções de acampamentos.
Calangos
Esticam-se ao sol.
Calangos entendem
a metáfora das tesourinhas.
Calangos viajam pra Pirinópolis
Fazem fogueiras em São Jorge
Calangos vão pra Chapada.
Calangos gostam de trilhas.
Calangos olham pro céu
Sabem que não vai chover.
Calangos, guardam o pôr-do-sol,
Guardam o nascer do sol.
Calangos são Calangos
Virando gente.
(Humberto Firmo)
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